Sinto que hoje novamente embarco Para as grandes aventuras, Passam no ar palavras obscuras E o meu desejo canta --- por isso marco Nos meus sentidos a imagem desta hora.
Sonoro e profundo Aquele mundo Que eu sonhara e perdera Espera O peso dos meus gestos.
E dormem mil gestos nos meus dedos.
Desligadas dos círculos funestos Das mentiras alheias, Finalmente solitárias, As minhas mãos estão cheias De expectativa e de segredos Como os negros arvoredos Que baloiçam na noite murmurando.
Ao longe por mim oiço chamando A voz das coisas que eu sei amar.
I am the escaped one, After I was born They locked me up inside me But I left. My soul seeks me, Through hills and valley, I hope my soul Never finds me.
De entre todos, apenas vós tendes direito a ver-me fracassar. Onde caio entre a vossa irónica doçura implacável, convosco partilho o pão e o espaço e a rapidez dos olhos sobre o que fica (sempre) para dar ou dizer. E de vós me levanto e vos levo pesando e ardendo até onde me ajudais a ser melhor ou talvez menos só.
Bebido o luar, ébrios de horizontes, Julgamos que viver era abraçar O rumor dos pinhais, o azul dos montes E todos os jardins verdes do mar.
Mas solitários somos e passamos, Não são nossos os frutos nem as flores, O céu e o mar apagam-se exteriores E tornam-se os fantasmas que sonhamos.
Por que jardins que nós não colheremos, Límpidos nas auroras a nascer, Por que o céu e o mar se não seremos Nunca os deuses capazes de os viver. (Sophia de Mello Breyner)
Sinto que hoje novamente embarco Para as grandes aventuras, Passam no ar palavras obscuras E o meu desejo canta --- por isso marco Nos meus sentidos a imagem desta hora.
Sonoro e profundo Aquele mundo Que eu sonhara e perdera Espera O peso dos meus gestos.
E dormem mil gestos nos meus dedos.
Desligadas dos círculos funestos Das mentiras alheias, Finalmente solitárias, As minhas mãos estão cheias De expectativa e de segredos Como os negros arvoredos Que baloiçam na noite murmurando.
Ao longe por mim oiço chamando A voz das coisas que eu sei amar.
Hora
Sinto que hoje novamente embarco
Para as grandes aventuras,
Passam no ar palavras obscuras
E o meu desejo canta --- por isso marco
Nos meus sentidos a imagem desta hora.
Sonoro e profundo
Aquele mundo
Que eu sonhara e perdera
Espera
O peso dos meus gestos.
E dormem mil gestos nos meus dedos.
Desligadas dos círculos funestos
Das mentiras alheias,
Finalmente solitárias,
As minhas mãos estão cheias
De expectativa e de segredos
Como os negros arvoredos
Que baloiçam na noite murmurando.
Ao longe por mim oiço chamando
A voz das coisas que eu sei amar.
E de novo caminho para o mar.
Sophia de Mello Breyner Andresen
"Um monte de Tranqüilidade//
Algumas colheres de Esperança//
Duas pitadas de Paciência//
Carinho, muito Carinho!//
Misture os ingredientes,//
leve ao forno pre-aquecido até dourar!//
Dica:
Se acontecer de queimar, não se apavore.//
O bolo da vida só chamusca por fora,//
por dentro não se estraga.//
Então, se passar do ponto, remova a camada externa, queimada,//
e cubra generosamente com Amizade.//
Está pronto o bolo mais gostoso do Mundo."
beijinhos ;) s.c.